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Ativos Intangíveis em Centro de Memória

Busco em minha memória um fato que pudesse justificar a tristeza sentida pela morte de Steve Jobs. Nada próximo. Conhecemos seu trabalho, suas inovações, sua crença em seus sonhos e destes os que se materializaram.

Os sonhos que constroem marcam nossa mente! Se sonhos constroem qualquer coisa, o que hoje é uma grande corporação infere-se, começou com o sonho de um fundador.

E este sonho, onde está registrado? E onde as coleções de objetos desta corporação até ser grande como hoje se apresenta? Perderam-se? Estão guardadas? Onde? Com quem? E se ninguém guardou, como escrever sua história, que tem no mínimo, importância como produtora de bens materiais ou imateriais para o país.

Apesar de possuir este forte laço com o passado, coleções documentais possuem um laço de igual intensidade com o futuro quando consideramos seu potencial e possíveis reestruturações conceituais que podem propiciar.

Tendo como premissa que patrimônio é um bem de determinada comunidade, pode-se inferir que a memória corporativa é um conjunto de objetos representativos deste patrimônio.

Neste sentido, as coleções contidas na Memória Corporativa são suportes de memória que remetem a procedimentos, práticas e conceitos bem como de um passado remoto e recente.

Assim iniciamos nossa monografia sobre Ativos Intangíveis em Centro de Memória, cujos textos traremos à esta página.

MEMÓRIA CORPORATIVA E ACERVO

O Acervo é a Memória do negócio, possibilita explorar e conhecer as evidências de atividades sócio-econômicas que são esquecidas quando as pessoas saem da empresa ou mudam de setor, mais rotineiramente, ele proporciona uma fonte inigualável de informações gerenciais.

O grande benefício do Acervo de Memória é que ele pode ser usado de muitas maneiras para apoiar o negócio: histórias das marcas e produtos, idéias inovadoras para o desenvolvimento de negócios, tecnologias, relações públicas, exposições em ponto de venda, prova legal: contra litígios, infração à marca ou difamação, sucessos e fracassos, responsabilidade social, e sensibilização a diferentes públicos.

A exposição à Memória Corporativa mostra que a empresa já resistiu à incertezas políticas e econômicas, as mudanças tecnológicas e organizacionais e de crescimento e recessão.

APRENDIZAGEM NO MUNDO CORPORATIVO

O mundo corporativo é o melhor formador de capital humano, é o que declara Época Negócios do mês de maio, em seu artigo Opinião. Diz ainda que, para o sucesso do mundo corporativo, é necessário o desenvolvimento de pessoas com atitude para aprender rápido.

Aprender rápido o quê?

Para nós, este aprendizado abrange a experiência do capital humano, as informações técnicas e estratégicas da empresa, somadas ao conhecimento do mercado e seus concorrentes.

Entretanto, dificilmente um executivo tem tempo disponível ou, por vezes, aptidão para transmitir este aprendizado.

Então, onde buscar informações para este aprendizado?

Na Memória Corporativa.

A Memória Corporativa que vai além de preservar a cultura e os fatos marcantes da empresa e incorpora todas as informações pertinentes ao negócio, é uma ferramenta que agregada ao conhecimento e à atitude do indivíduo, propicia novos conhecimentos para potencializar a competitividade da empresa.

FLUXO DE INFORMAÇÃO NA EMPRESA

Quando informações relevantes retornam para a empresa se tornam fonte de input para outras.

O PATRIMÔNIO DE UMA ORGANIZAÇÃO

O patrimônio intangível compreendido como as línguas, festas, danças, lendas, mitos, músicas, saberes, técnicas e fazeres diversificados, compõem o universo de bens imateriais contemplado pelo Decreto 3.551.

Ressaltamos destes intangíveis, os conhecimentos e os modos de fazer, que indissociáveis da cultura de determinada comunidade, são uma relevante manifestação de seu patrimônio cultural.

Embasado neste contexto, mesmo que tratado de maneira muito diversa de um patrimônio cultural, defendemos como patrimônio cultural de uma organização seus saberes e fazeres.

Esses saberes e fazeres são das pessoas, que em geral durante sua existência, agem constantemente em busca de novos conhecimentos que lhe propiciem adquirir ou criar bens tangíveis ou intangíveis, aplicáveis em sua vida particular ou profissional.

Dentro de uma organização, novos conhecimentos são ativos intangíveis criados pelos Recursos Humanos, para suporte aos objetivos organizacionais. Este Capital é hoje mais importante que o Recurso Financeiro, pois sempre agrega valores para a organização.

Com este enfoque, considera-se não mais despesa, mas sim investimento, o treinamento, o desenvolvimento profissional e a memória corporativa que registra o conhecimento gerado por esse recurso.

CICLO DE CRIAÇÃO DE CONHECIMENTO

O conhecimento para construir bens ora tangíveis ora intangíveis, existe na empresa, de muitas formas e em muitos níveis.

Ele pode estar implícito na competência dos indivíduos, nos relacionamentos de colaboradores que se articulam para desempenhar atividades, em relatórios mercadológicos, em inovações segmentadas, na análise crítica de produtos e serviços, nas expertises dos colaboradores, na análise técnica sobre gerenciamento, nos treinamentos, etc.

Estas ações geram documentação, para a qual é necessário decidir sobre o que preservar, por quanto tempo, em que condições, como atualizar estas informações.

Estudos apontam que depois de ser interiorizada e se tornar conhecimento, em sua maioria, as documentações quando não descartadas, são enviadas para arquivo inativo.

No entanto, em um cenário que possibilite que algumas destas informações retornem à base do conhecimento corporativo, tornando-se fonte de input para novos produtos e serviços, cria-se um ciclo de criação de conhecimento dentro da própria empresa.

E como é certo que, com o passar do tempo, novamente a informação sofrerá depreciação, a memória corporativa através de sua função de agregar o conhecimento corporativo, desde a fundação da empresa até os dias atuais, favorece a criação deste ciclo.

Sobre o Encontro de GC e Memória Corporativa Estratégica

No dia 13 de setembro a SBGC promoveu o Encontro de GC e Memória Corporativa, com a palestra do Dr. André Saito e da nossa diretora, Beatriz Azevedo.

Trazemos um pouco do que foi tratado durante as palestras…

O André falou sobre algumas vertentes da GC: na perspectiva de conteúdo, das pessoas e dos ativos intangíveis.

Apresentou também a visão oriental da GC versus a ocidental, com muita propriedade, pois mais do que pesquisar e estudar, ele vivenciou ambas as visões!

Além disso, ele explicou sobre a importância de se criar um “BA”, ou seja, um contexto propício para que a GC possa emergir na empresa de forma consistente, duradoura e que traga resultados, não sendo encarada com “mais uma tarefa a ser executada”…

No segundo momento, a Beatriz mostrou, então, uma possibilidade sobre o que todos querem saber: COMO fazer GC?!

Uma ação concreta é a constituição da Memória Corporativa Estratégica, construída coletivamente e direcionada para os objetivos da organização.

A Memória Corporativa como ação de GC procura aliar a abordagem voltada para a gestão de pessoas com a de conteúdo, pois não adianta promover uma cultura de compartilhamento entre os colaboradores e não registrar os conhecimentos compartilhados e criados.

Compreender que utilizar apenas métodos baseado em relações pessoais ou baseado em sistema para registro do conhecimento de forma isolada limita a função e alcance das ações para promover o conhecimento organizacional faz com que a Memória Corporativa atue de uma forma sistêmica, de forma que seja um background das ações estratégicas que auxiliarão a empresa a atingir seus objetivos.

Abaixo, um trecho da palestra do André, onde ele trata do conceito de GC!

Encontro de Gestão do Conhecimento e Memória Corporativa Estratégica

 

Faça sua inscrição clique aqui.
Informações telefone: (11) 3043 4360 ou eventos@sbgc.com.br

 

Nossa reunião do Grupo de Estudos é sempre muito boa!

A contribuição da Patrícia Banevicius com a apresentação da palestra sobre o livro de Peter Senge, “A revolução decisiva”, serviu de base para o debate em torno da abrangência de atuação de um Centro de Memória na perspectiva da Sustentabilidade.

Importantes contribuições como as do André Saito, diretor da SBGC Educação, que questionou como deve atuar um Centro de Memória para ser visto não apenas como um guardião dos documentos antigos, permitiu que os presentes expusessem suas experiências nos mais diversos contextos organizacionais.

A nova integrante do grupo, Ligia Palhares, do Centro de Memória do Senac, contou sobre seu ‘estado de alerta’ para manter o Centro de Memória atualizado dos novos serviços e produtos criados na empresa e seu empenho para integrar as documentações comprobatórias em seu acervo de informações.

Muitos de seus exemplos foram complementados por membros do Grupo que, passaram e passam, por situações semelhantes em seu dia-a-dia, promovendo o constante olhar sistêmico pela empresa na busca de informação e conhecimentos, seja sobre eventos, criação de novos produtos ou serviços, mudança em produto ou serviço existente, criação de novos departamentos ou fusão ou extinção de outros e até mesmo criação de novas empresas a partir de fusões.

No caso de fusões, Ligia ressaltou o benefício da individual documentação de cada empresa para uso dos executivos no planejamento de ações que envolvem a cultura e o know how de cada uma, dado que todos terão a partir deste evento um novo cenário de atuação, um nova e uma única visão.

Até dia 13 de setembro!

Amnésia Corporativa, Overload de Informação e Infojunk

Mais importante do que conhecer os concorrentes, é se conhecer, reconhecendo os pontos fortes e pontos fracos, as lições aprendidas, os conhecimentos e expertises dos funcionários como um diferencial que precisa ser explorado internamente.

A Memória Corporativa se refere ao espaço que oferece um serviço que não pode ser copiado por outras empresas, dado que é construída a partir das peculiaridades da própria empresa, tornando-se um diferencial competitivo único.

Quando essa sistemática é aplicada como forma de processo, incorporada ao organograma organizacional, a memória é construída sob uma base saudável.

Porém, o que em geral ocorre é a denominada ‘amnésia corporativa’ causada pela falha de informação na base de memória para se relacionar com uma nova informação. Isso é mais visível quando uma pessoa-chave aposenta-se ou sai da organização, porém, a própria falta de compartilhamento entre os colaboradores também contribui para que isso ocorra.

Então, qual a solução?  Guardar tudo o que é produzido? É possível?

A consequência é o que chamamos de Overload de informação, que promove o distanciamento de busca de informação em uma base, cujo excesso de informações guardadas sem critério leva a caminhos excessivamente longos ou descontextualizados.

Além disso, a falta de parâmetros ou expertise para identificar o que deve ser guardado e o que deve ser descartado, nos leva ao encontro de InfoJunk, ou seja, muitas informações descontextualizadas e sem valor, que apenas ocupam espaço e nada agregam à necessidade real de uma busca de informação.

 

Para evitar que a memória corporativa siga esses caminhos é necessário a implantação de processos que visam localizar, representar, registrar, compartilhar de forma sistemática e organizada as informações e os conhecimentos estratégicos para a organização.

Neste contexto as ações de GC – Gestão do Conhecimento estimulam os colaboradores a compartilhar suas experiências, projetos e lições aprendidas, além de orientar o fluxo e a análise dos documentos e objetos a serem registrados, visando sua recuperação de forma rápida, objetiva e eficaz.

Dessa forma, mais do que o registro do passado, a constituição da Memória Corporativa reunirá os fragmentos críticos de informações e conhecimentos espalhados pela empresa, evitando se percorrer informações inúteis antes de chegar ao material útil ou não chegar ao que se procura ou nem mesmo saber o que existe.